
Se você assistiu Matrix, com certeza você já pensou sobre isso. Como seria se você pudesse fazer o download de algum tipo de informação diretamente para o seu cérebro? Já pensou como seria maravilhoso se você não precisasse mais passar anos aprendendo matemática, e ao invés disso, pudesse “instalar” em seu cérebro todas as informações necessárias? E se por acaso você adora matemática, substitua por história, geografia, biologia, ou qualquer outra coisa que você queira. Quem sabe Kung Fu? Mas será que tem fundamento esse tipo de coisa? Nesse post vamos refletir um pouco sobre isso, baseado no que sabemos atualmente, e nos avanços científicos que podemos ter nos próximos séculos.
Vamos começar com os pés no chão: eu acho que essa história de “fazer download de informação diretamente para o cérebro” provavelmente nunca vai dar certo. Ainda não conhecemos o suficiente sobre ele, mas pelo pouco que conhecemos, o cérebro não é exatamente como um computador. Ele é análogo, é verdade, mas não é idêntico. Em um computador, o sistema operacional dele entende funções como “copiar arquivo”. Você pode transformar sinais elétricos que vem de uma porta USB em um arquivo em um HD, porque essa é uma função do sistema operacional. Acontece que o “sistema operacional” dos seres humanos não funciona assim. Não existe um mecanismo “copiar”, onde ele automaticamente e irreversivelmente transforma dados em memória. A “decisão” de se transformar informação em memórias, e em aprendizado, é um processo completamente diferente nos seres humanos.
Mas há, talvez, uma saída para isso. Se nos nossos cérebros existir algum tipo de implante com memória própria. Imagine que daqui há muitos anos, os cientistas descubram a “linguagem do cérebro” - o que as sinapses representam, como ele armazena as informações adquiridas. Dessa forma, você poderá criar aparelhos que realmente se comunicam diretamente com o cérebro. Você não pode “forçar” o aprendizado do próprio cérebro, mas… E se você tiver um implante eletrônico que tem um HD? Esse implante pode funcionar com uma lógica semelhante a de um computador. Então, ao invés de fazer download da informação no próprio cérebro, você faria isso para o implante. Como ele é capaz de se comunicar com o cérebro, então você poderia acessar as memórias do implante como se fossem suas. No fim das contas, o efeito é o mesmo, mas o processo é diferente.
Mais podemos ir muito além disso. Presumindo que as conexões com a internet serão infinitamente mais rápidas, coisa do nível de 1 Zebibyte por segundo, isso significa que as memórias sequer precisariam estar no próprio aparelho. Ela estaria em algum lugar da internet, e você se conecta com ela e a usa quando necessário. Ou seja, você poderia ter acesso a qualquer tipo de habilidade ou conhecimento instantâneamente! Quer dirigir um carro? Toda a habilidade para isso estaria registrada em um banco de dados, e você se conecta com ele instantaneamente quando precisar. O problema é que um volume tão grande de memórias seria impossível de ser lidado pelo cérebro, então precisariamos inventar mecanismos de busca “automatizados”, que interpretariam nosso cérebro, decidiriam por nós que informação queremos ter, e enviaria para nós em tempo real enquanto realizamos tais atos.
Claro que isso tudo é uma viagem enorme, mas de certa forma, ainda é algo no limite do “possível”. (Se eu dissesse provável já estaria forçando a barra.) Mas se isso realmente acontecesse, quais seriam as implicações na nossa sociedade? Se você pode instantaneamente adquirir todo o conhecimento necessário para ser um engenheiro, será que todos seriam engenheiros? Ou arquitetos? Outra questão interessante é, será que poderíamos compartilhar nossas memórias e/ou sensações com outras pessoas, “gravando” elas em um HD? (Dessa forma, nunca mais teríamos que ouvir frases como “você não sabe como eu me sinto”!) Será que “hackers” poderiam invadir esses aparelhos, e vasculhar nossas memórias? Dizem também que nossa personalidade é consequência de nossas memórias e conhecimentos. E com esse acesso costante a todas essas memórias?
Claro que eu não faço a mínima idéia se isso vai acontecer ou não. Mas que isso é muito interessante, com certeza é!



20 20UTC Agosto 20UTC 2009 às 16:00 |
Não é uma viagem não. De fato, isso irá acontecer em no máximo 30-40 anos. Veja as 3 partes do documentário “Visions of the future” com o Michio Kaku, ele fala sobre muitas coisas que vamos experimentar nos próximos 50 anos e são coisas realmente fora do comum. Ele inclusive fala sobre isso que vc escreveu, se não me engano é no segundo episódio da série “The Biotech Revolution”.
Achei excelente o post. Acho que vc vai se divertir vendo esse documentário, tem ele todo no youtube. Só não sei se tem legendado, mas é possível.
Grande abraço se quiser entre em contato.