
Você acha que entende de ciência? Sempre compra as revistas Super Interessante e Galileu para acompanhar as “novidades científicas”, e acredita que por causa disso, entende bastante do assunto? Pois fique sabendo que você pode estar terrivelmente enganado. O conhecimento científico é a base da nossa sociedade, mas são poucas as pessoas que realmente param para pesquisar e refletir quais são as principais características da ciência. Então resolvi escrever post, falando de 10 coisas que todos deveriam saber! E você, será que conhece essas informações? O texto é um pouco grande, mas se você tiver paciência, vai valer a pena!
[1] Ciência se define, acima de tudo, pelo método científico. Essa pode parecer óbvia, mas isso é um detalhe importante. Para algo ser considerado científico, com toda certeza deve passar pelo método científico. Mas o que é o método científico? É um processo relativamente simples, mas muito trabalhoso. Todo esse processo ocorre seguindo os passos: (a) definir uma questão; (b) coletar informações e recursos a respeito; (c) criar uma hipótese; (d) realizar experimentos para coletar dados; (e) analisar os dados; (f) interpretar os dados e determinar as conclusões; (g) publicar os resultados; (h) testar novamente os resultados. E se algo de errado ocorrer no ponto “h”, temos que começar tudo novamente!
[2] O conceito de ciência é completamente dependente de dois outros conceitos, falseabilidade e testabilidade. Talvez você já tenha ouvido falar deles, talvez não; mas fique sabendo que juntamente com o método científico, esses são os princípios fundamentais da ciência. (E, na verdade, o método científico é conseqüência deles.) Falseabilidade é o princípio que nos diz que para que uma determinada hipótese seja considerada científica, você deve ter alguma forma empírica de provar que ela é falsa. Não basta “fazer sentido”, você deve poder analisar. E a testabilidade é o que complementa essa idéia, que é o princípio que diz que para algo ser científico, você deve poder testar para comprovar sua veracidade.
[3] A ciência não é uma instituição. Mas o que isso significa? De forma simples, significa que não há um grupo “oficial” ou “legitimado” responsável por definir o que é a ciência. Se você é um engenheiro, existe um conselho de engenharia que define quais são as responsabilidades de sua profissão, e com o que você deve trabalhar. Mas a ciência não tem nenhuma instituição de controle, para ser um cientista, basta ser um pesquisador que está usando o método científico, publicando seus resultados em alguma publicação acadêmica de sua área. E por sinal, são tantos os campos que podem ser considerados como científicos que é possível encontrar pessoas das mais variadas áreas fazendo pesquisas que podem ser consideradas como sendo uma forma de ciência.
[4] A ciência não é democrática. Ou seja, a veracidade ou falsidade de uma nova hipótese não depende de votação, assim como não depende de apoio popular. Não importa o que a maioria das pessoas acredita, e nem mesmo o que a maioria dos cientistas acredita: se uma pesquisa comprova uma determinada propriedade, ela é invariavelmente aceita como verdadeira até que alguém possa fazer uma contraprova demonstrando que existe algum erro em sua formulação. Os conceitos científicos não dependem de qualquer consenso, o único critério válido para se avaliar a validade de uma determinada informação é o seu embasamento teórico e empírico – somente isso.

Uma pequena "liberdade poética", com a charge originalmente feita por Kemp. Acho que é perdoável!
[5] Textos científicos devem passar pelo processo de peer-review. A única ferramenta usada atualmente para garantir a qualidade de um artigo científico é o peer-review, que em português chamamos de revisão por pares. Basicamente, é o processo de se enviar o artigo/pesquisa para ser analisado por outros especialistas, que irão analisar se existem falhas teóricas ou metodológicas no artigo. Toda revista que publica material científico (como a Nature, ou a Scientific American) usa esse processo. Ele não é perfeito, é um processo demorado . E além disso, nada impede que uma revista inescrupulosa qualquer passe a aplicar peer-reviews usando como revisores profissionais duvidosos, e assim, afirme estar publicando artigos científicos. Mas ainda não existe um formato melhor!
[6] Uma das principais características da ciência, é a capacidade de predição. Ou seja, a ciência tem como um de seus objetivos ser capaz de prever acontecimentos. Não, isso não tem nada a ver com poderes paranormais. A ciência é, em seu íntimo, o estudo da realidade – e acima de tudo, das regularidades que existem nessa realidade. A gravidade é um ótimo exemplo. Se você joga uma pedra, ela cai no chão; se você joga duas, isso se repete, e você pode continuar indefinidamente e sempre vai ter resultados equivalentes. Você pode perceber que aqui existe um “padrão”, uma “regularidade”; percebendo essas regularidades os cientistas determinam leis, propriedades e características. E é por meio delas que surge o conhecimento científico.
[7] A ciência não prova nada, ela apenas comprova. Essa é uma confusão comum, e podemos ver isso com freqüência nos meios de comunicação. A ciência não “prova” coisa alguma, porque uma prova é uma afirmação absoluta. Provas só existem na matemática, na ciência, comprovamos coisas. E qual a diferença entre provar e comprovar? Uma prova, como já foi dito, é uma afirmação categórica; não permite contestação. Uma comprovação é sempre aberta a questionamentos – algo que é “comprovado” pode ser demonstrado falso, na ciência todo conhecimento é provisório. Ele é uma aproximação do real, mas não a própria realidade. Quando dizemos que a ciência “provou” algo, devemos entender que esse algo é “aquilo que todas as evidências indicam como o mais provável”. Nem mais, nem menos!
[8] Teoria, em ciência, tem um significado diferente do senso comum. Quando você fala que tem uma teoria, você pensa em algo sem certeza, uma idéia vaga sua. Mas uma teoria na ciência tem um significado completamente diferente. Teoria, em ciência, é o status de maior segurança que um conhecimento pode atingir. E não, uma lei não está acima de uma teoria, porque leis são apenas regularidades descritas matematicamente, enquanto uma teoria pode de fato acabar explicando a existência dessas leis. Para se perceber como isso é verdade, basta lembrar-se da teoria atômica, e da teoria da gravitação. Você certamente não diria que átomos não existem, não? Ou será que você ousaria dizer que a gravidade é “apenas uma teoria”? E você teria coragem de testar para mostrar que ela é falsa, pulando de um penhasco?
[9] As ciências “humanas” e “exatas” são praticamente independentes. Como já foi dito, os cientistas podem ser das mais variadas áreas. E não é de se admirar, portanto, que exista uma grande diferença entre as diferentes ciências. E isso é conseqüência do objeto de estudo de cada uma delas. Nas ciências exatas, os cientistas estão lidando com leis físicas, substâncias, objetos que podem ser isolados de seu meio para atingir uma enorme precisão de análise. As ciências sociais não tem essa capacidade, ao estudar o comportamento humano, não é possível isolá-lo de sua sociedade – de fato, ao fazer isso você estaria descaracterizando-o. Por isso, nas ciências sociais o rigor e o tipo de análise feita nas pesquisas é bem diferente das ciências exatas. Isso não é nem bom nem ruim, é apenas uma característica.
[10] Tecnologia não é sinônimo de ciência. Quando alguém pensa em ciência, normalmente acaba pensando em tecnologia. E é algo natural, afinal de contas, foi por causa dos avanços da ciência que a tecnologia progrediu tanto nos últimos séculos. Mas a ciência é o conjunto de conhecimentos e práticas geradas pelo método científico – a tecnologia é uma das possíveis aplicações desse conhecimento. A tecnologia é, portanto, resultado da ciência, mas não é a própria ciência. Podemos até afirmar que é o principal produto, mas não é o único. Essa é uma diferença aparentemente insignificante, mas que não custa nada lembrar!



17 17UTC Novembro 17UTC 2008 às 15:11 |
Muito bom esse blog, parabéns.
Na atual educação brasileira – necessitamos muito de cultura e conhecimento. Assim, nada mais interessante do que compartilhar um artigo Ciência, o que me fez remeter ao “Livro dos Espíritos” uma obra do cientista e professor Allan Kardec onde foi codificado os ensinamentos vindo dos espíritos para a forma escrita de livro acessível a todos nós – formulado nessas bases acima mencionadas – pela observação, análise, comprovação e publicação. Formou-se assim uma filosofia com bases científicas e conseqüências religiosas: O Espiritismo.
Sucesso a todos e espero que continuem seguidas publicações com artigos bons como esse.
28 28UTC Novembro 28UTC 2008 às 15:12 |
Caramba ein, eheoheohoehoehoehoeeooe
24 24UTC Janeiro 24UTC 2009 às 17:26 |
Eh cada um que aparece
25 25UTC Setembro 25UTC 2009 às 23:04 |
legal!!! muito informativo. Gostaria de entender no entanto, o que significa auto-racismo. Entendo que deva significar preconceito contra sua própria raça. mas o que eu queria entender são as nuances desta expressão.