Esse tipo de tema não é novidade para os fãs de ficção científica. Imagine a situação: um soldado inimigo é capturado, e então é levando para ser interrogado. Mas ao invés de uma sala onde ele será ameaçado e torturado, ele é colocado em uma estranha máquina. Essa máquina é capaz de analisar o seu cérebro, e dessa forma, os seus inimigos conseguem todas as informações que necessitam. Aparelhos capazes de ler a mente não são raros em histórias de ficção. Mas o interessante é que isso, até certo ponto, está se tornando realidade.
Obviamente ainda estamos muito longe da ficção. O que aconteceu, é que recentemente foi publicado na Scientific American um artigo que mostra os resultados de um trabalho recente de alguns cientistas. Resumindo a história em poucas palavras, os cientistas identificaram um algoritmo capaz de traduzir a atividade cerebral de forma a identificar que tipo de imagem a pessoa está vendo. Ou seja, eles são capazes de identificar se você está olhando para um círculo, uma casa, uma moto, ou algum outro objeto específico.
Mas mesmo isso é ainda muito limitado. A precisão dessa análise ainda é maior quando os pesquisadores reduzem o número de imagens analisadas. Quando eles determinaram um grupo de 120 imagens, a precisão chegou a 92%. No entanto, quanto maior o grupo de imagens menor o índice de acerto, chegando ao ponto em que o algoritmo só conseguiu alcançar 10% de precisão quando o número de imagens usadas era absurdamente grande. (O que é claro, ainda é um índice de acerto muito maior que um simples “chute”!)
Ou seja, ainda estamos muito longe de uma verdadeira “leitura da mente”. Esse tipo de método só é capaz de analisar aquilo que estamos vendo no exato momento, e ainda assim, com uma precisão muito baixa. E como o teste foi feito com grupos fixos de imagens, ele ainda é limitado quando comparado com a realidade – que nos oferece uma variação infinita. Mais que isso, a “leitura de mentes” dos filmes é algo muito mais próximo da “leitura da memória” do que de fato, ler o que estamos pensando/vendo no exato momento. Podemos nos sentir seguros, ao menos por enquanto.
Mas essa pesquisa não deixa de ser importante, e de ser algo espantoso quando nós percebemos que gradualmente estamos conseguindo identificar os padrões pelo qual nosso cérebro identifica imagens. Esse tipo de pesquisa pode ser depois levada a outros sentidos, e com o tempo, seu índice de acerto vai aumentar. Dentre as várias aplicações práticas que podemos ter no futuro desse tipo de pesquisa, seria enviar imagens mentais para um computador, ou mesmo músicas. Certamente existem muitas outras que eu não consigo imaginar agora. Só espero que o primeiro exemplo citado no início desse post não seja colocado em prática.


